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Imagem: Pixabay

Coronavírus: isolamento domiciliar pode aumentar sobrecarga das mulheres

Mulheres, mães e trabalhadoras: o período de isolamento domiciliar devido ao Covid-19 pode contribuir para a exaustão de mulheres que cumprem a dupla ou tripla jornada de trabalho

Em setembro de 2019, uma reportagem publicada no site de Celina, a plataforma do GLOBO para as questões de gênero, mostrou como a sobrecarga afeta a vida das mulheres. Em inúmeros lares brasileiros, são elas que executam e organizam as rotinas da casa e das crianças, dando conta de questões práticas, como cozinhar e levar os filhos à escola, e de um trabalho invisível de planejamento que inclui pensar os ingredientes que faltam na despensa e lembrar das consultas médicas da família.

Não à toa, há sete meses, as duas mulheres entrevistadas pela nossa reportagem se declararam exaustas. Elas trabalhavam, eram as principais responsáveis pela casa e pelos cuidados com os filhos e, quando os maridos se mostravam dispostos a colaborar, cabia a elas deixar tudo planejado. Agora, com o novo coronavírus levando famílias em todo o mundo a ficarem juntas em casa, decidimos retornar a essas mulheres. Será que o isolamento social necessário para conter o avanço da Covid-19 as deixou ainda mais sobrecarregadas? Ou foi possível construir uma nova divisão do trabalho dentro de casa?

— Não consegui um lugar separado para trabalhar, então as crianças ficam em cima de mim, literalmente — diz Gabriela Domingues, de 34 anos, que é gerente de operações em uma empresa de comunicação e marketing e mãe de duas crianças: Guilherme, de 6 anos, e Maria Eduarda, de 1 ano e cinco meses. Moradora de Campo Grande, ela conta que o marido “continua na mesma” em relação à divisão das tarefas domésticas. Em setembro passado, Gabriela nos contou que Eduardo só contribuía quando era solicitado. E agora?

— Meu marido continua indo ao escritório, mesmo não sendo um serviço essencial. Ele chega tarde, então não participa da rotina de afazeres do dia — explica Gabriela, que tem se desdobrado para dar conta de tudo sozinha. — Estou trabalhando até mais horas por conta de todo esse caos. Os clientes estão desesperados, e o meu trabalho dobrou. Como estou em casa, as crianças querem mais atenção e estão muito ansiosas.

Para tentar amenizar as mudanças na rotina dos filhos, Gabriela montou um cronograma de atividades. Ela usa filmes e livros infantis para tentar ensiná-los sobre temas que eles aprenderiam na escola, como diversidade e bullying. Como seu filho Guilherme é autista, e precisa de terapias que não estão acessíveis no momento, ela tenta propor outras práticas para estimulá-lo.

Gabriela conta que o medo de contágio e o fato de que “a toda hora as coisas mudam” estão deixando a organização das tarefas ainda mais pesada.

— Me sinto muito cansada, sobrecarregada e estressada. Acordo às 6 horas e vou dormir à meia-noite, sempre muito preocupada. É difícil você se organizar com duas crianças dentro de casa. É mais uma preocupação, além das questões do trabalho, do medo de perder clientes, de ficar sem dinheiro e da incerteza com a situação do país. E a gente ainda teme ficar doente — desabafa.

(Reprodução: Site O Globo)

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