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Pandemia: Perguntas e Resposta sobre saúde emocional

Quero começar a fazer terapia agora. Como escolher um psicólogo ou um psiquiatra, uma vez que não poderei conhecê-lo pessoalmente?

Para Elson Asevedo, psiquiatra e pesquisador da Unifesp, uma saída adequada neste momento é pedir indicação de pessoas próximas. “É um jeito antigo, mas funciona bem. Se for pesquisar na internet, é interessante buscar por profissionais ligados a instituições ou a universidades de renome”, orienta o psiquiatra.

As terapias on-line devem continuar? Podem substituir as presenciais?

Mary Okamoto, professora de psicologia da Unesp, acredita que após a pandemia deve haver uma elasticidade maior entre o modelo virtual e o presencial. “Uma coisa não vai ocupar o lugar da outra. É provável que haja uma flexibilização entre os dois formatos, de acordo com a necessidade e com o tipo de terapia. Dependendo da linha de psicologia e do caso do paciente, a presença física é extremamente importante”, afirma Mary.

E com idosos que não se adaptam à telemedicina, o que podem fazer?

A melhor forma de fazer o atendimento no caso dos idosos é usar a ferramenta com que eles estão mais familiarizados, diz Elson Asevedo, psiquiatra e pesquisador da Unifesp. “Pode ser até por telefone. O importante é não deixar de lado o tratamento”, afirma. Para oferecer atendimento psicológico para idosos, o Instituto de Psiquiatria da USP está usando a ferramenta de chamada de vídeo do WhatsApp. “Grande parte deles já usava o WhatsApp para mensagens. Acaba sendo um meio mais natural”, explica a psicóloga Dorli Kamkhagi, coordenadora desse programa da USP.

Como sei se a quarentena está me afetando mais do que a outras pessoas?

Especialistas ouvidos pelo Estadão concordam que sentimentos como medo, insegurança, irritação e tristeza são esperados durante a pandemia. “O momento não é de tranquilidade, mas de saber como lidar com os nossos sintomas. Nossas obsessões, paranoias e impaciências, tudo vai tender a piorar. Por isso, a hora exige uma complacência muito maior com nossos próprios sintomas e, sobretudo, com o sintoma dos outros”, diz Marcelo Veras, psiquiatra da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Diante de alguns sinais, entretanto, recomenda-se buscar psicólogos ou psiquiatras. “Quando a alteração emocional começa a causar prejuízo nas atividades do dia a dia, na capacidade no trabalho e nos estudos, e isso se prolonga por algumas semanas, é importante fazer um acompanhamento com profissionais”, orienta Elson Asevedo, psiquiatra e pesquisador da Unifesp.

Quais sinais as crianças dão de que é hora de buscar ajuda psicológica profissional?

De acordo com os especialistas, é importante observar as alterações de comportamento nas crianças, como dificuldade de concentração, deixar de gostar das coisas de que se gostava anteriormente, choro com mais frequência e tendência de se isolar e não socializar com a família.  “Os sinais podem ser os mais variados. As crianças e os jovens sentem muito o impacto da mudança de rotina que a quarentena impõe. Pelo momento de desenvolvimento que eles vivem, a socialização e os amigos são extremamente importantes”, afirma Mary Okamoto, professora de psicologia da Unesp.

 O que é melhor para a saúde mental de crianças e adolescentes: deixar que façam o que quiserem ou impor uma rotina agora?

Na visão de Mary Okamoto, professora de psicologia da Unesp, é preciso tentar manter uma rotina de crianças e adolescentes diante dessa situação atípica, principalmente porque essa organização está relacionada a marcadores de rotina como o horário da fome e do sono. “É importante, porém, dosar a manutenção da rotina. Deve-se tomar cuidado para que a rotina doméstica não fique apenas na cobrança e na pressão de cumprir exigências”, pontua a professora. Marcelo Veras, psiquiatra da UFBA, dá um conselho: “É uma boa ideia convidar as crianças para participar das tarefas domésticas junto com os pais, como decidir o menu do almoço, ajudar na arrumação e na cozinha. Para elas, será uma aventura e um reconhecimento de que são valorizadas”.

Como faço para conseguir receita para remédios psiquiátricos agora que não posso sair de casa?

Em março, o Ministério da Saúde regulamentou o uso da telemedicina e passou a permitir o uso de atestado e receitas médicas a distância, por meio de certificação digital. “É um momento de adaptação dos profissionais e dos pacientes também. No serviço público, muitas receitas ainda estão sendo deixadas na recepção do hospital”, diz Elson Asevedo, psiquiatra e pesquisador da Unifesp.

Quais cuidados extras devem ser tomados por pessoas que já têm algum transtorno mental?

Especialistas afirmam que neste momento é essencial que essas pessoas mantenham contato com o psicólogo e o médico. “Os cuidados recomendados pelos profissionais se tornam ainda mais importantes”, afirma Felipe Corchs, psiquiatra do Programa de Transtornos de Ansiedade da Universidade de São Paulo (USP). Além disso, Elson Asevedo, psiquiatra e pesquisador da Unifesp, lembra que não se deve alterar a medicação por conta própria: “É um erro parar a terapia ou os remédios quando se percebe uma melhora, e também intensificar sozinho a medicação. Qualquer mudança precisa ter o acompanhamento de especialistas”.

Meditação funciona para todo mundo? Como começar?

“Como todo tipo de tratamento, tem gente que não se adapta à prática de meditação. Mas, para quem consegue, os resultados são consistentes”, diz Elson Asevedo, psiquiatra e pesquisador da Unifesp. Mary Okamoto, professora de psicologia da Unesp, completa: “A meditação é uma ferramenta que auxilia as pessoas a manterem certa calma física e psicológica. Ela trabalha no caminho oposto da ansiedade, trazendo um momento de paz e estabelecendo outro ritmo de respiração e de pensamento”. Para iniciantes, existem na internet aplicativos e vídeos com exercícios de meditação guiada.

Fiz tudo “errado” nesses dias de quarentena: dormi até tarde, fiquei o dia todo de pijama, comi além da conta. É possível “consertar” a rotina a partir de agora? Como?

Para Mary Okamoto, professora de psicologia da Unesp, sempre há o caminho de volta. “Você pode começar por uma organização do cotidiano, avaliando as situações que tem vivido e fazendo novos planejamentos. Mas é importante não se exigir demais”, afirma. Na visão de Marcelo Veras, psiquiatra da Universidade Federal da Bahia (UFBA), como a quarentena está sendo longa, as pessoas passarão por estados diversos durante esse período: “Esse tudo ‘errado’ pode ser saudável, o isolamento nos permite ficar um pouco ao abrigo das exigências muitas vezes insuportáveis da opinião dos outros.  Essa exigência de normalidade costuma ser muito tirânica”, diz Veras.

Há como combater a insônia?

“Algumas coisas ajudam a ter qualidade no sono, como evitar ficar na cama durante o dia e estabelecer horários para dormir e acordar”, orienta Felipe Corchs, psiquiatra do Programa de Transtornos de Ansiedade da USP. Além disso, especialistas explicam que é importante se expor ao sol durante o dia e evitar luzes fortes à noite. Também é importante deixar de usar o celular horas antes de dormir.

Tenho acordado mais durante a noite. O que pode estar acontecendo?

É possível que o sono agitado seja consequência de estresse, tensão e preocupações. “Problemas no sono podem ser sintoma de um problema emocional, mas também ser uma causa. É importante estar atento às medidas que ajudam a melhorar a qualidade do sono”, diz Elson Asevedo, psiquiatra e pesquisador da Unifesp.

Como evitar que a necessidade de fugir dos problemas se torne uma porta para o alcoolismo?

Para José Capalbo, superintendente médico do Hospital Nove de Julho, o autoconhecimento é chave para que evitar que, neste período de isolamento, a pessoa seja levada ao álcool ou a outras drogas. “O ideal é que cada um conheça suas fraquezas e busque medidas que se proteger. Contar com o aconselhamento de um profissional médico ou psicólogo pode ajudar”, afirma Capalbo. “Assim como conversar, mesmo que a distância, com amigos. Também é possível buscar atividades de relaxamento, que podem contribuir para aplacar a ansiedade. O ponto fundamental em relação a esses vícios é a prevenção.”

Cuidar da beleza pode ajudar a melhorar minha autoestima neste momento?

Especialistas ouvidos pelo Estadão concordam que sim. “A autoestima impacta na imagem que a pessoa tem sobre si mesma. O mínimo de cuidado de se embelezar e se arrumar é interessante, até para que a pessoa consiga se sentir bem consigo mesma”, diz Mary Okamoto, professora de psicologia da Unesp. Marcelo Veras, psiquiatra da Universidade Federal da Bahia (UFBA), reforça essa importância: “O estilo é um modo de definir a existência para si, mesmo levando em conta o olhar do outro”.

(Texto: Reprodução do Jornal O Estado de São Paulo)

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